domingo, 14 de agosto de 2011

Claps!

Claps!! Vica e eu finalmente nos unimos à Task Force. E justo no momento em que nossa Força Tarefa ganha o tão necessário “nome de guerra”, inspirado na história de Iatas: Having Fun? Indeed. Depois de perder a primeira edição pela distância das paragens limeñas, onde realizávamos expedições para conhecer, segundo designação dos locais, o ‘Peru profundo” (sem trocadilhos, viu!), e a segunda, por razões profissionais, a terceira era nossa!

Inspirado por um espírito desbravador, desci do avião tentando puxar alguma daquelas inspirações à la Odisséia. Uma terra diferente, distante, demandaria essa constelação poética para servir de fundação para escritos igualmente pitorescos. Idéias, logicamente, de caipirice paulista. Sair do Grande Estado não apenas nos permite conhecer o resto do País, também dá a dimensão da necessidade de mudar percepções sobre o que é o Brasil. Task Force devidamente criada para esse propósito. Acho, assim, que finalmente terminei de me corrigir, completando o processo desenvolvido nesses anos de Brasília. A tradição clássica pôde, assim, dormir em paz quando a ameaça de erudição de botequim foi justamente substituída pelo espírito “Having Fun?”, que agora dominará o espectro das futuras jornadas.

O presente também se inseriu nesse processo e pudemos, assim, passar por Palmas, Porto Nacional e Taguaruçu com o espírito do dono do Baú nos guiando. Ficarei com Palmas, deixando para os outros os comentários sobre os dois complementos a Palmas – inclusive a já lendária indicação do Edu de como chegar ao “Flutuante” (apontando concomitantemente, com as mãos, para direita e esquerda), e a fila de paulistanos para falar num orelhão trajado de tucano.

A “caçulinha” das Capitais – como bem apontou o Iata – ainda está se desenvolvendo, mas já é suficientemente complexa para ser pitoresca. Planejada, traz consigo um misto de Niemeyer e Kim Il Sung. Há concreto demais para tanto sol. E este, fortíssimo, dá o tom do “vazio” das ruas durante o dia (a noite todos os habitantes aparecem), trazendo alguns ventos da capital norte-coreana. Partes da praça central também poderiam ser vistas com um “quêzinho”, obviamente inconsciente, de Pyongyang.

A estética de um só monumento daquela praça é reveladora. Deixemos de lado, obviamente, os autores, os contratantes e os homenageados da obra. Todos terão sua legitimidade e não podem ser criticados. Porém, as cores, os braços levantados das personagens ali imobilizadas de fato exageram na louvação e não fariam feio aos arquitetos contratados por figuras históricas de tradição democrática um tanto capenga.

É interessante notar que a louvação dos braços abertos e caras de gratidão parece dirigir-se a três símbolos: a Assembléia, a cruz e a placa onde se destaca o nome de um antigo Governador. Prestando-se bem a atenção, conclui-se que a placa é o foco. Na verdade, são duas placas, uma com texto antigo da identidade palmense e outra de tom político, esta de frente para a estátua. O símbolo talvez seja direto: o povo louva uma autoridade circundada pela legitimidade do parlamento e pela divindade da cruz. Grande mensagem!

As contradições entre o interessante e o exótico, tão brasileiras, espraiam-se, no entanto, para além da arena oficialesco-urbana. Estão por todo lado e Palmas pode se orgulhar de ser, nesse quesito, tão brasileira quanto qualquer outra cidade. O planejamento é bom, mas a execução demanda aprimoramentos. Há beleza, mas as quadras comerciais lembram as de Brasília, cuja validade já passou há muito. O lago, transformado em praia, é significativo asset. Em algum momento colocaremos fotos do pôr-do-sol dignas de exotismos asiáticos. O lago demandará comentários exclusivos. Talvez mais tarde...

Mas, no mais, a cidade é marcada pela praga arquitetônica que vem devastando tudo que vê pela frente. A tradição do puxadinho, tão falada por nossas bandas, vê-se atualmente reforçada pela estética do “caixote fosforescente”. Quase tudo que se constrói hoje se resume a uma caixa pré-moldada de concreto, lisa, com algumas janelinhas, e pintada por qualquer cor que seja a mais gritante possível. O requinte se limita, nos casos mais “nobres”, a cores menos vibrantes e a letreiros que tentam compensar a precariedade da estrutura. De oficinas mecânicas, escritórios e concessionárias de carro a clínicas, restaurantes, padarias e tudo o mais que existir, o caixote fosforescente é hoje o tom das cidades brasileiras. Salvo, logicamente, nas capitais, onde os espelhados de toda sorte – também uma praga – dominam.

Enfim, assim como compartilha as “sensibilidades” críticas, Palmas também possui requintes tipicamente brasileiro. A cidade – “all in all” - é bem estruturada e acolhedora, região é linda e as pessoas, bem simpáticas. Ao menos pelo que pudemos apreender em cerca de dois dias de expedição.

Esse, acredito, foi o cenário da 3ª. Edição da TF Having Fun?. Agora passemos ao que interessa...


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