Claps!! Vica e eu finalmente nos unimos à Task Force. E justo no momento em que nossa Força Tarefa ganha o tão necessário “nome de guerra”, inspirado na história de Iatas: Having Fun? Indeed. Depois de perder a primeira edição pela distância das paragens limeñas, onde realizávamos expedições para conhecer, segundo designação dos locais, o ‘Peru profundo” (sem trocadilhos, viu!), e a segunda, por razões profissionais, a terceira era nossa!
Inspirado por um espírito desbravador, desci do avião tentando puxar alguma daquelas inspirações à la Odisséia. Uma terra diferente, distante, demandaria essa constelação poética para servir de fundação para escritos igualmente pitorescos. Idéias, logicamente, de caipirice paulista. Sair do Grande Estado não apenas nos permite conhecer o resto do País, também dá a dimensão da necessidade de mudar percepções sobre o que é o Brasil. Task Force devidamente criada para esse propósito. Acho, assim, que finalmente terminei de me corrigir, completando o processo desenvolvido nesses anos de Brasília. A tradição clássica pôde, assim, dormir em paz quando a ameaça de erudição de botequim foi justamente substituída pelo espírito “Having Fun?”, que agora dominará o espectro das futuras jornadas.
O presente também se inseriu nesse processo e pudemos, assim, passar por Palmas, Porto Nacional e Taguaruçu com o espírito do dono do Baú nos guiando. Ficarei com Palmas, deixando para os outros os comentários sobre os dois complementos a Palmas – inclusive a já lendária indicação do Edu de como chegar ao “Flutuante” (apontando concomitantemente, com as mãos, para direita e esquerda), e a fila de paulistanos para falar num orelhão trajado de tucano.
A “caçulinha” das Capitais – como bem apontou o Iata – ainda está se desenvolvendo, mas já é suficientemente complexa para ser pitoresca. Planejada, traz consigo um misto de Niemeyer e Kim Il Sung. Há concreto demais para tanto sol. E este, fortíssimo, dá o tom do “vazio” das ruas durante o dia (a noite todos os habitantes aparecem), trazendo alguns ventos da capital norte-coreana. Partes da praça central também poderiam ser vistas com um “quêzinho”, obviamente inconsciente, de Pyongyang.
A estética de um só monumento daquela praça é reveladora. Deixemos de lado, obviamente, os autores, os contratantes e os homenageados da obra. Todos terão sua legitimidade e não podem ser criticados. Porém, as cores, os braços levantados das personagens ali imobilizadas de fato exageram na louvação e não fariam feio aos arquitetos contratados por figuras históricas de tradição democrática um tanto capenga.
É interessante notar que a louvação dos braços abertos e caras de gratidão parece dirigir-se a três símbolos: a Assembléia, a cruz e a placa onde se destaca o nome de um antigo Governador. Prestando-se bem a atenção, conclui-se que a placa é o foco. Na verdade, são duas placas, uma com texto antigo da identidade palmense e outra de tom político, esta de frente para a estátua. O símbolo talvez seja direto: o povo louva uma autoridade circundada pela legitimidade do parlamento e pela divindade da cruz. Grande mensagem!
As contradições entre o interessante e o exótico, tão brasileiras, espraiam-se, no entanto, para além da arena oficialesco-urbana. Estão por todo lado e Palmas pode se orgulhar de ser, nesse quesito, tão brasileira quanto qualquer outra cidade. O planejamento é bom, mas a execução demanda aprimoramentos. Há beleza, mas as quadras comerciais lembram as de Brasília, cuja validade já passou há muito. O lago, transformado em praia, é significativo asset. Em algum momento colocaremos fotos do pôr-do-sol dignas de exotismos asiáticos. O lago demandará comentários exclusivos. Talvez mais tarde...
Mas, no mais, a cidade é marcada pela praga arquitetônica que vem devastando tudo que vê pela frente. A tradição do puxadinho, tão falada por nossas bandas, vê-se atualmente reforçada pela estética do “caixote fosforescente”. Quase tudo que se constrói hoje se resume a uma caixa pré-moldada de concreto, lisa, com algumas janelinhas, e pintada por qualquer cor que seja a mais gritante possível. O requinte se limita, nos casos mais “nobres”, a cores menos vibrantes e a letreiros que tentam compensar a precariedade da estrutura. De oficinas mecânicas, escritórios e concessionárias de carro a clínicas, restaurantes, padarias e tudo o mais que existir, o caixote fosforescente é hoje o tom das cidades brasileiras. Salvo, logicamente, nas capitais, onde os espelhados de toda sorte – também uma praga – dominam.
Enfim, assim como compartilha as “sensibilidades” críticas, Palmas também possui requintes tipicamente brasileiro. A cidade – “all in all” - é bem estruturada e acolhedora, região é linda e as pessoas, bem simpáticas. Ao menos pelo que pudemos apreender em cerca de dois dias de expedição.
Esse, acredito, foi o cenário da 3ª. Edição da TF Having Fun?. Agora passemos ao que interessa...
domingo, 14 de agosto de 2011
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Palmas, TO - Agosto 2011
A Força Tarefa HAVING FUN reuniu ilustres colegas do curso de Relações Internacionais de 1996 e agregados na cidade de Palmas, Tocantins, no fim de semana de 5 a 7 de agosto de 2011. Reuniram-se Ricardo Camargo Mendes, Eduardo Valle, membros fundadores da FT, Helio Franchini, Ivy Turner, Iatã Lessa e Fernanda Rafaela Fernandes. Esta última chegou ao aeroporto Brigadeiro Lysias Rodrigues trajando um modelo Carolina Herrera exclusivo com detalhes em preto, azul e branco, causando frisson entre as damas palmenses. De fato, não seria fácil para uma intelectual acostumada aos salões neoclássicos de Columbia University circular com desenvoltura pelas esculturas de inspiração norte-coreana da praça dos três poderes da caçulinha das capitais brasileiras. Fê Rafaela, contudo, guarda a doçura apenas possível nas mulheres inteligentes de verdade. Circula do mesmo jeito nas ruínas do Timor Leste e nas boutiques de Paris.
Faz igualmente parte da TF HAVING FUN o desenhista, escritor, professor de inglês, historiador da arte da animação e (queira Deus um dia) cartunista Eric Lovric. Lamentavelmente o dito cujo não esteve presente desta vez. Mas caberá a ele relatar as desventuras do grupo em Boa Vista, RO.
Ricardo Camargo Mendes lidera a Task Force, devidamente protegido pelo arzinho condicionado
Mas vamos ao que interessa: as histórias. Acho que cabe explicar o nome escolhido. Vem de um fato nada relacionado à nossa missão. Algumas histórias são tão insólitas, tão engraçadas, que acabam virando piada interna em outros grupos. Um amigo meu do tempo de colégio, conhecido como "Chupeta", era beneficiado por situação financeira "estável", como o próprio sempre definiu. Passava férias dando uma esquiadinha em Aspen lá pelos anos 90 quando uma figura alta e corpulenta o aborda e pergunta: "Having fun?". Era nada mais nada menos do que Senor Abravanel, o dono do Baú, o patrocinador da contabilidade criativa do Banco Panamericano. Desnecessário dizer que o Chupeta caiu de bunda na neve de tanto rir e o "Having Fun?" com voz de Silvio virou um bordão eterno. Contei a anedota real para o grupo na viagem para Palmas e aí pegou. Certamente remete ao caráter insólito que buscamos e buscaremos em todas as nossas viagens.
Vai pra lá? Vai pra cá? Eu não sei!
Em Palmas faz um calor mais que senegalês, o que prejudicou minha performance enquanto branquelo incapaz de passar mais do que cinco minutos sem uma sombra, um ar condiconado e, preferencialmente, uma cerveja gelada. Felizmente Ricardo Mendes tratou de alugar dois veículos com ar condicionado para a empreitada. Nosso primeiro destino foi a cidade de Porto Nacional, cerca de 50 Km de Palmas. Lá chegando procuramos pelo famoso "Peixe do flutuante". Trata-se de um tucanaré fresco servido numa balsa que virou restaurante. Houve certa dificuladade para encontrá-lo, especialmente depois que Edu Valle, após cinco minutos no celular com sua prima pedindo indicações, fez o curioso gesto de apontar para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo, gerando uma certa dúvida nos motoristas. Por lá discutimos temas prementes para a comunidade portuense, tais como a política de imigração brasileira e e o papel do Conselho de Segurança da ONU na crise da Líbia.
A Task Force se reúne em frente ao Peixe do Flutuante
O suculento Tucunaré
Porto Nacional nos proporcionou ainda doces e amargos espetáculos. Depois de ver um idiota deixar seu filho dirigir uma moto com seis anos de idade, mesmo sabendo que o trânsito portuense ainda não compete com o da Marginal Pinheiros, ...
...fomos surpreendidos pela beleza e simplicidade da praça e da igreja da matriz, onde paramos para uma justa relaxada.
Faz igualmente parte da TF HAVING FUN o desenhista, escritor, professor de inglês, historiador da arte da animação e (queira Deus um dia) cartunista Eric Lovric. Lamentavelmente o dito cujo não esteve presente desta vez. Mas caberá a ele relatar as desventuras do grupo em Boa Vista, RO.
Ricardo Camargo Mendes lidera a Task Force, devidamente protegido pelo arzinho condicionado
Mas vamos ao que interessa: as histórias. Acho que cabe explicar o nome escolhido. Vem de um fato nada relacionado à nossa missão. Algumas histórias são tão insólitas, tão engraçadas, que acabam virando piada interna em outros grupos. Um amigo meu do tempo de colégio, conhecido como "Chupeta", era beneficiado por situação financeira "estável", como o próprio sempre definiu. Passava férias dando uma esquiadinha em Aspen lá pelos anos 90 quando uma figura alta e corpulenta o aborda e pergunta: "Having fun?". Era nada mais nada menos do que Senor Abravanel, o dono do Baú, o patrocinador da contabilidade criativa do Banco Panamericano. Desnecessário dizer que o Chupeta caiu de bunda na neve de tanto rir e o "Having Fun?" com voz de Silvio virou um bordão eterno. Contei a anedota real para o grupo na viagem para Palmas e aí pegou. Certamente remete ao caráter insólito que buscamos e buscaremos em todas as nossas viagens.
Vai pra lá? Vai pra cá? Eu não sei!
Em Palmas faz um calor mais que senegalês, o que prejudicou minha performance enquanto branquelo incapaz de passar mais do que cinco minutos sem uma sombra, um ar condiconado e, preferencialmente, uma cerveja gelada. Felizmente Ricardo Mendes tratou de alugar dois veículos com ar condicionado para a empreitada. Nosso primeiro destino foi a cidade de Porto Nacional, cerca de 50 Km de Palmas. Lá chegando procuramos pelo famoso "Peixe do flutuante". Trata-se de um tucanaré fresco servido numa balsa que virou restaurante. Houve certa dificuladade para encontrá-lo, especialmente depois que Edu Valle, após cinco minutos no celular com sua prima pedindo indicações, fez o curioso gesto de apontar para a esquerda e para a direita ao mesmo tempo, gerando uma certa dúvida nos motoristas. Por lá discutimos temas prementes para a comunidade portuense, tais como a política de imigração brasileira e e o papel do Conselho de Segurança da ONU na crise da Líbia.
A Task Force se reúne em frente ao Peixe do Flutuante
O suculento Tucunaré
Porto Nacional nos proporcionou ainda doces e amargos espetáculos. Depois de ver um idiota deixar seu filho dirigir uma moto com seis anos de idade, mesmo sabendo que o trânsito portuense ainda não compete com o da Marginal Pinheiros, ...
...fomos surpreendidos pela beleza e simplicidade da praça e da igreja da matriz, onde paramos para uma justa relaxada.
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